sexta-feira, 13 de junho de 2008

Não sei não...

(Bom, aproveitando a deixa da inspiração fortuita, escrevo as poucas linhas abaixo, referente a uma notícia espantosa...)

Enquanto trabalho aqui em casa, fechado no meu bunker, tentando fazer algum dinheiro e esperando a morte chegar, assisto na televisão uma das maiores notícias que tive contato nos últimos dias.
Em uma cadeia n'algum lugar de algum rincão da Bahia, um detento foi solto por engano. A juíza da cidade expediu um alvará de soltura para um certo Adaílton não sei das quantas, outro detento da mesma cadeia. Por engano, soltaram um outro detento, com o mesmo nome, mas de sobrenome diverso. Eis que, chegando em casa, o sortudo detento (na medida do possível) percebeu o erro da justiça, ligou para a polícia e explicou o ocorrido. A polícia o prendeu novamente e o levou para a cadeia local. A reportagem pegou cenas da cadeia, do outro Adaílton, entrevistou o delegado, que apareceu rindo. Os dois Adaíltons também estavam rindo, e o ingênuo (ou idônio, depende do ponto de vista) disse que acreditava que estava agindo certo, etc. e tal. Um detento da tal cadeia, entrevistado pela reportagem logal, perguntado se faria o mesmo que o referido colega, disse, balançando a cabeça:
- Ah, num sei não...
Brasil é isso, meu povo!

Ri Happy!

(Frisando: esta crônica só tem razão de ser por conta do tédio e da insônia; não quero ser julgado pela história, como Eichman, por conta dela, ok? Abraços risonhos...)

Ri Happy!

Acho que não me cai bem crônicas datadas historicamente, coisa e tal, pois me parece que elas são inevitavelmente presas num nexo de tempo que foge à regra da atemporalidade e da tal universalidade (se tivesse mais alguma palavra bacana com o final “dade”, pode ter certeza que eu acrescentaria). Quem pretende ser gênio não pode se dar ao luxo de escrever tal coisa. Mas eis que, novamente enfurnado nos livros do filho da puta do Rubem Fonseca (em outro lugar já disse que este canalha me come a alma), li uma crônica dele quando da queda do muro de Berlin. Ele estava lá quando o muro ruiu (pasmem!), e descreveu coisas sobre o grande acontecimento, com a genialidade que o consagrou como escritor. Tanto faz.
O importante (para quem, afinal?) é que, justo nesse dia dos namorados, eu não tinha a menor idéia do que dar de presente para a dita cuja que tem o azar de dividir coisas e dívidas de pôquer comigo. Eram seis e meia da tarde e corri para a Rua Teodoro Sampaio atrás de alguma coisa bacana para comprar para uma mulher que já recebeu como presente calcinha do Fausto Falsete, jogo de dardos da Estrela e livros do Pedro Juan Gutiérrez que, não sei bem o porquê, ela jurou que eu tinha dado pra ela para eu ler depois. Intimidade é uma merda.
Sei que entrei em lojas estranhas, balconistas uniformizadas tentaram me vender de tudo (de chapinha de cabelo a lingerie pornô – legal, por sinal), com direito a comissões que variam de 1 a 6 por cento para elas. Normal que seja assim. Sei que, depois de tanto bater perna, isso lá pelas sete e tantas, e com as retinas já viradas de tanta bugiganga saltando às vistas, entrei numa loja de brinquedos, a Ri Happy!. Entrei e a primeira coisa que vi foi uma prateleira que devia ter uns 6 metros de altura cheia, lotada, estrebuchando de bichinhos de pelúcia. Caia no chão, de tanta fartura (mesmo depois do escândalo na China, com recheios com produtos tóxicos, etc.). Estava cansado, querendo tomar um porre de vinho, fumar um habano, apostar em máquinas de videopôquer, jogar pingue-pongue, fazer qualquer coisa mais radical do que aquela empresa a que estava me dedicando. Nem pisquei e a vendedora me mostrou um boneco do X-man; um banco imobiliário; dinossauros de borracha e uma réplica do Indiana Jones enorme . Mas quando ela me mostrou um sapo que cantava Only You, meus olhos se encheram de lágrimas: era aquilo que estava procurando! Ela apertou a mão do bicho e ele cantava a música inteirinha! Cara, um novo mundo se abriu para mim: percebi que estava envelhecendo; que qualquer réplica de algum animal feito a base de poliéster me emocionava; que minha barriga crescera nos últimos meses; que voltei a ouvir rock e assistir Chaves; e que, de um jeito ou de outro, era um pateta com 25 anos de idade gastando uma pequena fortuna com a coisa mais nonsense que havia visto nos últimos tempos.
Paguei pelo sapo, mas ela gostou. Rimos, tomamos vinho, fizemos amor e pensamos na vida depois disso tudo, fumando um Churchill, naturalmente. Bacana essa coisa toda do sapinho que canta, até o Rubem Fonseca, no auge dos seus setenta e lá vai paulada iria gostar... Haha, a vida é bela!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Das quatro maiores cidades.

(Nem um poema, nem um pensamento... conversando tempos atrás com um amigo sobre as grandes cidades, e tendo como inspiração o ultramaterialismo ou o pragmatismo mais exacerbado possivelmente falando, me saiu isto que está abaixo... abraço a todos.)
Das quatro maiores cidades.


São Paulo é cinza.
Nova Iorque é cinza.
A Cidade do México
é perfeitamente plana.
Tóquio, é multicolorida.

Os chineses.

(Paródia que li certa vez num dos geniais quadros da Mafalda, do Quino, e que, dia desses, sem absolutamente nada pra fazer, resolvi "poematizar" a questão...)
Os chineses.

Os
chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses chineses
Estão para o mundo, assim como os
Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva Silva
Estão para a lista telefônica.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Deus existe, e mora num rancho.

(Texto que, pela segunda vez na minha curta vida, escrevi com meu irmão Caio. Trata-se de um tema "político", e resolvi postar aqui (juro por deus!), porque uma amiga minha certa vez alegou que eu só escrevia literatura niilista (não sei bem qual o conceito que ela possui sobre este termo) no meu blog. Lá vai... Abraço, Caião (Se você se tornar requisitado, quero os royalites do tramite todo, ok?).

Deus existe, e mora num rancho.

A questão relativa ao teísmo permeia a trajetória de toda pessoa acidentalmente concebida na porção planetária denominada ocidente (por enquanto chamemos os que estão do outro lado de Greenwich de “os sem dentes”), onde desde infantes somos levados a um lugar estranho, referenciado: um templo. Os acometidos ao teísmo são apresentados ainda bem jovens aos ritos sacerdotais e, logicamente, a todo o aparato punitivo que se segue (ainda que, pelo menos desde o apóstolo Woody Allen, com direito a olhadas e eventuais beliscões nas nádegas de algumas joviais colegas do sexo oposto). Comigo não foi diferente. Apresentado aos discretos rituais baptistas (que são, por natureza, diferentes do eleitorado de Antonhy Garotinho no Rio- como a cidade maravilhosa foi se transformar num reduto evangélico da noite pro dia?), sempre fui alertado de que ‘nasci pecador e careço da misericórdia divina, pois J.C. subiu piamente ao calvário e sofreu por mim, um perdido pecador’, isso sendo eu um garoto com propensões ao mal que assolava os garotos da minha idade (o “empeludamento” das mãos). Já era chamado de perdido (não me viram depois), e o começo disso tudo começou com as dores nas costas que meu pai tinha. O pastor da igreja onde freqüentávamos teve a caridade de emprestar um vibrador para sanar as dores da ovelha do seu rebanho, não bastasse a sua preocupação com as dores da alma. O resto está impresso em cartazes propagandísticos pelos sex shops da vida.
O interessante é que, ao longo do tempo, outro elemento me era apresentado: o amor. Foi justamente a nula percepção de um amor incondicional para com o divino que me permitiu jubilar qualquer dívida que existisse, me liberando de penitências em fórum privado, tais como uma hora diária de banho, etc., embora confesse que há um residual sentimento de culpa que ronda a mim e, penso que, a todos (afinal somos ocidentais, e a energia sempre custou os olhos da cara, além da influência de Santo Agostinho ser absurda no legado ocidental). Meu primeiro amor se chamava Rosinalva, e seu cabelo vinha até a bunda.
Acontece que, divagando dia desses enquanto descascava milho no quintal de casa, e observando alguns episódios especiais do início do século XXI (e, principalmente, galvanizando esses momentos num tecido com alguma lógica ou uma matriz de unicidade cosmogânica – é assim que se escreve tal conceito?), concluí algo bastante interessante: Deus Existe!
Explico: em verdade, a conclusão a que chego é a de que o Diabo existe e, como um par antitético (ou duas faces da mesma moeda de cinco centavos de Real), se o diabo existe, logo Deus há. Portanto, a premissa de que parto é a de que existe sim o Diabo, em razão da observação pontual dos episódios que se seguem. Ei-los:

(Episódio Um, ou “Lebowski jogando boliche”): quando do atentado às torres do WTC em 11/09/01, a grande maioria dos dizimados consistia em trabalhadores terceiromundistas, alocados tanto nos staffs da gerência das empresas quanto em atividades ‘menores’, como ascensoristas, faxineiros, moleques de leva-traz, fazedores de aviões de papel, enfim: uma infinidade de chicanos trabalhando na Big Apple e em busca do sonho americano. E mais: o acontecimento elevou o então desprestigiado G.W. Bush (it) à alcunha de paladino da vendeta estadunidense. Obra de quem? Do Diabo, claro. Mas prosseguindo:

(Episódio Dois, ou “Queremos sertanejo!”): o furacão Katrina, que percorreu os EUA em 2005, ziguezagueou pelo Sul chauvinista, passou pela região petrolífera e carrasco do país e foi assolar justo quem? Os moradores de New Orleans, berço do Jazz e do Blues, capital da cultura negra do país e, logicamente, uma região menos abastada da nação (além de fazer o X Burger mais barato do país, dizem as revistas especializadas), levando a uma catástrofe de proporções dantescas. Recapitulando: o Katrina ‘driblou’ as regiões mais conservadoras e racistas dos EUA, onde se usa o milho como reco-reco, e foi aterrorizar justamente o enclave afro do país. Economizou os arianos e detonou a “negrada”. Obra de quem? Já sabemos.

(Episódio Três, ou “O homem que sabia javanês”): O Tsunami atingiu as paradisíacas praias da Indonésia, com muçulmanos torrando em suas túnicas em um sol de quarenta graus centígrados, arrebatando mais de 100 mil pessoas com sua fúria, o que não se verificou nas praias da Califórnia, Vale do Silício, Japão ou demais litorais melhor preparados para esse acidente (não afetando, infelizmente, a praia de Malibu e adjacências). Lambeu o litoral de uma das regiões mais belas e mais pobres do globo. Obra de quem? Do cão, como diria Virgulino, “O capitão”.

(Episódio Quatro, ou “Adeus, Al Gore”): essa é demais... O aquecimento global, que aparentemente levará todo o globo igualmente a sofrer com a elevação da temperatura (fazendo com que, pela primeira vez na história, pingüins deixem de receber dos governos da Islândia e da Dinamarca o seu quinhão na seguridade social dos respectivos países), também tem o dedo do tinhoso: o aquecimento levará as regiões temperadas do norte (leia-se EUA e Europa) a temperaturas mais elevadas, contribuindo assim com sua maior capacidade de produção de gêneros tropicais em sua cadeia agrícola, principalmente de alimentos, levando à redução de sua dependência de exportação de gêneros de primeira necessidade e, aliado à tecnologia de ponta, proporcionando diversidade em sua produção agroindustrial, além de continuarem produzindo vinhos melhores que os argentinos. Em contrapartida, as regiões subtropicais do sul (leia-se África e Sul América – Argentina inclusa -) deverão constatar elevação da temperatura a níveis insuportáveis e degeneração de suas floretas tropicais, evoluindo para um quadro de desertificação e de calor insuportáveis em longo prazo, como alegou o subsecretário de obras da cidade do Rio de Janeiro em fevereiro passado: “Não haverá verbas disponíveis para a ampliação do Pscinão de Ramos”. Obra de quem? Pode um troço desses?!

(Episódio Cinco, ou “Foi Santos Dumont quem inventou o avião!”): esse é o demus brasillis: em outubro de 2006, um avião da empresa GOL com mais de 150 brasileiros colidiu no ar com um jatinho Legacy, com 06 estadunidenses nos céus do Mato Grosso. O que aconteceu? O jatinho do Tio Sam teve uma pequena avaria, que o permitiu continuar viagem enquanto o avião com os 150 brazucas CAIU DE BICO no meio da selva, não deixando um sobrevivente, além de desmatar ainda mais a nossa já tão dizimada flora (gerando um problema a mais para a então ministra do Meio Ambiente Marina Silva). Detalhe: a falha para que houvesse a colisão foi do jatinho Legacy. E então? É legal isso? Alguma dúvida de quem operou este milagre?

Ao interligar esses episódios (repetindo: enquanto descascava meus milhos tranquilamente), fica nítida a interferência do Demo para que essas catástrofes viessem a aterrorizar os representantes que vivem abaixo da cidade de Paris, Texas (Deus salve Win Wenders!). Ou simplificando: mesmo em eventos aparentemente aleatórios, quem está por baixo se dá mal, como mestre Gonzaguinha brilhantemente aduz: “pobre não tem mesmo vez, não dá sorte ou dá azar”. E nisso tem, é claro, é lógico, é inegável, salve-salve, o dedo do Diabo. Portanto, ele existe e, se ‘ele’ existe, “Ele” também há: Deus existe. Ou não?
Podemos confabular o seguinte, revisando os episódios: 1 ) No ‘atentado’ ao WTC, é muito pouco provável que os proprietários das empresas, os detentores das ações e também os presidentes e principals, estivessem no prédio, afinal de contas, quem estava lá estava a trabalho, ou matando trabalho. Eram o contingente executor, formado por brilhantes engenheiros indianos, hábeis faxineiros mexicanos e alguns titulados latino-americanos, além dos habituais chineses vendendo yakissobas nas calçadas adjacentes. Logo, foram esses os vitimados: La vida és muy dura! 2 ) Com todo o aparato meteorológico-bélico-pentagonal-oxágonal-instrumental, não seria tão desconhecido o traçado do furacão Katrina (pois afinal, como sabiam o seu nome, hein? Hahã, peguei vocês!), assim como os procedimentos contingenciais do governo minimizariam a catástrofe humana, mas isso não aconteceu. Ficou claro o descaso do Estado, e do presidente texano para com os afro-descendentes abatidos pelo Katrina (talvez porque Bill Clinton toque saxofone, e Wynton Marsalis seja o diretor do Lincoln Center em NY), baixas talvez sem muita importância para as bandas cover do Willie Nelson. 3 ) A possibilidade de ocorrência de ondas do tipo Tsunami é monitorada por países como Japão e Austrália, mas somente nas imediações de seu território, protegendo origamis (que possuem uma natural capacidade de alçar vôo) e ovelhas. Assim, não se pôde prever a catástrofe que abateu sobre a população da Indonésia, com seus surfistas de trens. Mas vale uma ressalva: as populações litorâneas, inebriadas pelo turismo e pelo canto da sereia dos Dólares e Euros, deixou de lado seus costumes seculares, pois não codificaram a linguagem dos animais que, minutos antes da chegada das ondas gigantes, rasparam el gatón (para usar uma expressão local, introduzida por um colonizador espanhol já no séc. XVI). Ainda, as fotos demoraram a chegar à internet, devido ao fato de que as máquinas fotográficas dos turistas estarem com os cartuchos cheios de fotos de surf e nativos sorrindo, tendo que ser deletadas primeiramente. 4 ) O aquecimento global pode ser contido para evitar o aumento da discrepância entre norte e sul mas, com um indicador como o da prosperidade agrícola do norte, os EUA, maior emissor de gases que destroem a camada de ozônio, continuam a desrespeitar o Protocolo da ilusória cidade de Kyoto (pois não existe tal lugar nas agências de turismo). Mas eles podem: afinal, império é império, ou alguém pergunta às formigas se podemos pisoteá-las, a não ser biólogos com bolsa de estudos da FAPESP especializados em tal inseto?
Dessa forma, desdigo o que propus acima e, em nova conclusão, concluo por assim ser que o diabo não existe, e se ‘ele’ não existe, ‘Ele’ não há!
Ah! Ia me esquecendo... O episódio do jatinho Legacy e do avião da Gol: Não teve a pachorra nem de cair numa plantação de soja transgênica... Em se tratando do Brasil, isso sim é obra do Demo! E fui cuidar do meu milho... Também vivo num rancho, ora pois!

Caio e Franco Chiariello.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Sem título (que eu saiba)...

(Poema que o meu amigo Jeff "cabeção" Anderson teve a audácia de me mandar, e eu tenho a pachorra de postar. Abraços...)


"Leia o texto abaixo e depois leia de baixo para cima"

Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...
(Clarice Lispector)

domingo, 25 de maio de 2008

Poema do Domingos de Oliveira.

(Este poema "sem nome" que posto aqui está num filme do Domingos de Oliveira que, até estes 25 anos da minha curta e fanfarrônica vida, devo ter assistido umas também 25 vezes (sério). O filme se chama 'Separações", deste que alguns chaman de "o Woody Allen brasileiro"; acho uma relativa besteira esta colocação, mas se por uma fatalidade desta coisa sem pé nem cabeça que os butistas chamam de "destino" for correta, creio ser mais conveniente chamar o Woody Allen de "o Domingos de Oliveira deles", pois ele começou a fazer o "tipo" de cinema que faz alguns anos antes que o também mestre de Manhattan, ok? Um abraço para os dois gênios: o do Baixo Leblon e o do Brooklyn. E pras agora reduzidas cinco almas que passam por aqui também... menor, mas também.
Agora eu sei que te amo, de fato.
Mais que minhas rimas ou primas,
Ou outras que vieram depois.
Pois porque eu sou porque sois,
Além da lua, além dos sóis que vimos juntos,
Ou quaisquer outros assuntos, agora eu sei.
Eu vos amo mais do que temo a morte.
Eu reconheço a fonte dos nossos problemas:
É que antes, e cedo,
Eu fiquei com medo de te escrever
Poemas.
Domingos de Oliveira.